
A recusa em “negociar com terroristas” é um chavão comum da discussão política. Aceita-se frequentemente como auto-evidente que os terroristas estão tão para além dessa discussão, que seria moralmente repreensível encetar algum tipo de diálogo com eles. Mas o termo “terrorista” permanece enganoso, definido de várias formas por diversas partes, embora sempre de forma pejorativa. A julgar pelo uso que dele fazem os elementos dos governos de nações diferentes, parece ser analiticamente verdade que, sejam quais forem os seus porta-vozes, eles não são terroristas. O termo “terroristas” refere-se exclusivamente a eles, um grupo maior ou menor de actores políticos, que depende, em última análise, das simpatias do líder.
Os líderes governamentais falam amiúde como se os terroristas estivessem para lá da razão, mas terroristas particulares em lugares particulares acreditam estar a transmitir às pessoas uma mensagem com um conteúdo concreto. A mensagem apresenta invariavelmente a forma seguinte: Há algo seriamente errado com o mundo em que vivemos, e isso deve ser mudado. Por vezes, os terroristas pretendem afirmar o seu direito a fazer com que as pessoas tomem consciência daquilo que os terroristas já viram. Contudo, os membros dos vários grupos terroristas transmitem (laconicamente) uma mensagem mais global. A lição que devemos receber dos terroristas não é a mensagem que resulta do uso específico, contextual da violência. Os terroristas têm razão quanto ao facto de que existe algo profundamente errado com o mundo em que nós e eles vivemos, mas eles são, tanto quanto os governos que atacam, parte do problema.
Sem comentários:
Enviar um comentário