quarta-feira, 11 de junho de 2008

Dia Internacional da Recordação do Holocausto

No dia 25 de Janeiro evocou-se, na Escola Secundária c/ 3º CEB de Oliveira do Bairro, o DIA INTERNACIONAL DA RECORDAÇÃO DO HOLOCAUSTO através da realização de um colóquio. Esta iniciativa, incluída no projecto “ESCOLA ABERTA” do Departamento de Ciências Humanas e constante do Plano Anual de Actividades da escola, contou com as presenças do escritor judeu norte-americano Richard Zimler, do Professor Doutor Manuel Loff (Departamento de História e de Estudos Políticos e Internacionais da Universidade do Porto), e da Professora Doutora Paula Lopes (Coordenadora do Curso de Licenciatura em Relações Internacionais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra).
O objectivo imediato do colóquio não era impressionar ou emocionar a audiência, mas potenciar a discussão séria, consequente e informada sobre o Holocausto, como forma de educar contra o Holocausto, o qual, embora em sentido negativo, é inequivocamente património da humanidade.
O colóquio iniciou-se com a leitura dramatizada de excertos do último livro de Richard Zimler, “A Sétima Porta”, feita por um conjunto de alunos do 11º ano. Depois, o escritor procurou, através de um testemunho pessoal e crítico, mostrar a necessidade de evocar a memória, mas sobretudo de deixar falar, através de si e dos seus livros, todos os que foram silenciados pelo Holocausto.
A segunda comunicação foi feita pelo Professor Doutor Manuel Loff e centrou-se na explicação histórica das causas do Holocausto, o qual foi apresentado não só como um processo sinistro e cínico de aniquilação de judeus, mas também de aniquilação de ciganos, de deficientes físicos e mentais, de homossexuais, russos, polacos e opositores do nacional-socialismo.
Finalmente, a Professora Doutora Paula Lopes abordou as dificuldades conceptuais do termo “genocídio” no plano da Teoria das Relações Internacionais, bem como das suas implicações no âmbito das relações entre povos, estados e governos, nomeadamente ao nível dos processos de previsão e intervenção das instituições e organizações políticas internacionais relativamente a situações de genocídio.
Os três convidados convergiram na necessidade de evocar a memória do Holocausto, como forma de o compreender como referencial ético do mal absoluto, de descontruir pseudo-argumentos revisionistas e negacionistas e de ultrapassar concepções místicas que encaram “a solução final dos judeus” como um fenómeno que está para além da causalidade histórica. Efectivamente, concluiu-se, o Holocausto não foi nem o primeiro acto de genocídio, nem o último, sendo essencial melhorar a nossa capacidade de previsão de processos de extermínio programado, como forma de os evitar. Contudo, afirmou-se, nenhum instrumento ou organismo será suficiente para prevenir ou evitar estas ignomínias se efectivamente não se evoluir para uma ética da tolerância que predisponha ao reconhecimento do outro e do seu direito à diversidade, como forma de aprofundar modos de vida simultaneamente comunitários e cosmopolitas.

1 comentário:

anabela disse...

Gostei imenso do tema e das intervenções dos convidados participantes.É um tema que não é habitualmente objecto de reflexão ao nível da comunidade escolar e resultou...Alunos e professores acompanharam e envolveram-se com bastante interesse no decurso dos trabalhos. Foi bastante enriquecedor...
Parabéns ao professor Vitor pela iniciativa!